Há uma ordem de Jesus, confesso, a qual obedeço com a maior facilidade e alegria: “Olhai as aves do céu”. Em sua profunda sabedoria, o Mestre nos convida a parar e observar aquilo que é frágil e indefeso: os pássaros.
É na observação do pequeno, do vulnerável, que apreendemos a imensidão do cuidado divino.
Recentemente, a vida me colocou novamente na posição de aprendiz, e os pássaros assumiram o lugar de professores.
Minha rotina em casa começa cedo. Às seis da manhã, já estou de pé, cuidando das demandas que o dia exige. Contudo, o verdadeiro despertar costuma acontecer antes. Por volta das quatro e meia ou cinco horas da madrugada, quando a noite ainda teima em não ceder espaço à luz, o silêncio do quarto é rompido pelo canto dos primeiros pássaros.
Admito que, por muito tempo, essa sinfonia matinal me causava certa irritação. Aquele som era o lembrete implacável de que minha noite de descanso estava com os minutos contados. Vários pássaros, que fazem seus ninhos nas árvores próximas ao prédio onde moro, começavam suas cantorias cheios de energia e disposição, sem se importar com o fato de que muitos de seus vizinhos humanos ainda dormiam e desejavam continuar nesse estado.
Nos últimos tempos, Deus tem sussurrado ao meu coração uma verdade espiritual (que aprendi ao observar os pássaros), registrada nas páginas de Lamentações 32-23: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos… renovam-se cada manhã.
Desde então, passei a acolher a aurora com gratidão. Compreendi que, a cada alvorecer, a misericórdia divina me é servida fresca, como o pão que acaba de sair do forno. As lutas, preocupações, dores e o cansaço podem até ser velhos conhecidos, mas a graça que nos sustenta para enfrentá-los é renovada. Inédita a cada manhã. É a voz do Salmo 30 ganhando vida: O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
A tristeza tem prazo de validade: ela pertence à noite.
A manhã, por sua vez, é o momento em que a luz rasga a escuridão, assim como a revelação da Palavra ilumina os recantos mais sombrios da nossa alma.
Hoje, ouço os pássaros de maneira diferente. Quando eles começam a cantar no final da madrugada, já não penso que é o fim do meu sono. Ouço a voz de um pequeno profeta de penas anunciando, antes mesmo de o sol nascer, que as misericórdias de Deus acabaram de se renovar sobre a minha vida. E, nesse canto, a minha fé encontra descanso e a minha esperança ganha asas.
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