O show das mães

       Acredito que as mães foram as que mais trabalharam no período da pandemia, sem desmerecer, é claro, os profissionais da saúde. Na verdade, as mães sempre se esforçaram muito, mas durante esse momento tão triste e marcante na história, se superaram, deram um show! 
      Assim que a OMS elevou o estado de contaminação do novo coronavírus como pandemia e cidades começaram a decretar lockdowns, as mães foram as primeiras a arregaçar as mangas e dar início aos esquemas de proteção da família. Pelo menos aqui em casa foi assim: alerta máximo! 
      Até então tínhamos a imagem da mãe indo atrás dos filhos (de todas as idades) para dar algum tipo de medicamento, levar um agasalho para protegê-los do frio, preocupadas com a alimentação; mas nunca imaginamos uma mãe correndo atrás da sua prole com um frasco de álcool em gel para esfregar e desinfetar as mãos deles a cada cinco minutos.        
      Quem diria que além de falar aos filhos para tomar banho, não andar descalço, escovar os dentes, pentear os cabelos, as mães também pediriam para a turminha colocar a máscara e não a tirar por nada! Imaginem o desespero de uma mãe ao ver que sua filha voltou da escola usando a máscara de uma amiguinha (fato real). 
       Recentemente li um estudo1 relatando que quando eventos externos não podem ser alterados, como no caso da COVID-19, a forma como as mães enfrentam e se envolvem na causa (neste caso, a proteção da família), ajuda os filhos a enfrentarem e a se adaptarem melhor ao momento. 
       As mães tiveram muitos desafios e grandes responsabilidades foram colocadas sobre seus ombros, mas se mostraram resilientes sob condições estressantes, adaptando-se de maneira positiva. Tiveram que lidar com tantas situações nunca imaginadas, como: trabalhar de forma remota (home office), ajudar com as aulas remotas dos filhos, ter atenção redobrada ao limpar e desinfetar todas as compras e produtos que chegavam em casa, dar suporte e abastecer a casa dos pais, sogros e pessoas próximas que não podiam sair de casa, dentre outras. 
        Muitas mães improvisaram festinhas de aniversários virtuais para os seus filhos, e foram muitas as famílias que cantaram “Parabéns a você” pelo Zoom. Reconheço e aplaudo o esforço e cuidado de cada mãe. 
        Gostaria de destacar o trabalho de algumas mães durante a pandemia. O que elas fizeram    me deixou imensamente impressionado e emocionado. 
         Fiquei imensamente impressionado e emocionado com mães que trabalham nos hospitais. 
       Algumas delas, principalmente as que atuam nas UTIs, até se afastaram de seus filhos e familiares, hospedando-se em hotéis e outros locais para não levar o vírus para casa. Outras não tinham condições para isso e tiveram que voltar para casa após o serviço no hospital, mantendo atenção extrema na proteção de sua família. Por um tempo essas mães que trabalham nos hospitais cuidaram dos filhos de outras mães. E como cuidaram!       
       Fiquei imensamente impressionado e emocionado com mães que trabalham na área da educação, especialmente as professoras e coordenadoras, que foram pegas de surpresa e se viram em meio a um turbilhão. A área da educação não estava preparada para o ensino remoto. Escolas, professores, alunos e pais, todos confusos diante dessa nova situação. As mães professoras e coordenadoras se esforçaram ao máximo e deram um show para continuar ensinando os filhos de outras mães durante a pandemia. E como se esforçaram! 
       Fiquei imensamente impressionado e emocionado com mães que trabalham nos mais variados tipos de serviços à população que não podiam ser interrompidos.  Elas estavam nos mercados, bancos, farmácias, postos de combustíveis, transporte público, indústrias, no campo e em empresas públicas e privadas. Expuseram-se e correram o risco de se contaminar. Essas mães trabalharam para os filhos de outras mães. E como trabalharam!     
       Fiquei imensamente impressionado e emocionado com as mães que se colocaram na linha de frente dentro de suas casas, cuidando, protegendo, educando, alimentando e orando por seus filhos e pelos filhos de outras mães. Todas as mães foram guerreiras, verdadeiras heroínas dos tempos modernos. 
       Quem não se impressionaria e se emocionaria com cada uma delas?! A vocês, queridas mães, presto uma homenagem com esse texto, reconhecendo e honrando o trabalho que fizeram e ainda fazem. 
       Reconheço o amor, o empenho e a dedicação de vocês para que a sua família e outras famílias pudessem atravessar esse tempo tão sombrio. A pandemia ainda não terminou. Mas com pandemia ou sem pandemia, a verdade é que vocês sempre deram um show. 
       Feliz Dia das Mães! 

1. JONES, LAUREN B et al. “Resilience in mothers during the COVID-19 pandemic.” Journal of family psychology : JFP : journal of the Division of Family Psychology of the American Psychological Association (Division 43), 10.1037/fam0000985. 28 Mar. 2022, 

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Foto por Josh Willink em Pexels.com

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Carlos Barabás
Carlos Barabás
Carlos Barabás é doutorando e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), com pesquisas voltadas ao neuroempreendedorismo, inovação, criatividade, sustentabilidade e comportamento humano. Especialista em Neurociência e Educação, graduado em Ciências Sociais e com formação teológica, atua como pesquisador do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento de Ritmos Biológicos (GMDRB) da USP, pastor da Igreja Cristã do Farol, em São Paulo/SP, e sócio-diretor da Lighthouse – Centro de Estudos Multidisciplinares Ltda.
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